quarta-feira, 7 de setembro de 2011

SEMANTICA ESTRUTURAL UM DISCURSO FUNDADOR


SEMANTICA ESTRUTURAL UM DISCURSO FUNDADOR

Vamos iniciar com Eni Orlandi pensadora que analisou a questão do discurso de fundação. Segundo essa pesquisadora, há elementos essenciais em um discurso fundador que estão presente sempre, são eles:
Devem funcionar com referência básica no imaginário constitutivo (no caso de uma nação); estabilizarem-se como referência na construção da memória (nacional); inventar um passado inequívoco e empurrando um futuro pela frente e que dão a sensação de estarmos dentro de uma história de um mundo conhecido.
Devem ecoar e reverberar efeitos de nossa história em nosso dia-a-dia, em nossa construção cotidiana de nossos laços sociais, em nossa identidade histórica. E deve instaurar uma nova ordem de sentidos. Assim, o que caracteriza um discurso fundador é que ele cria uma nova tradição de sentidos que produzem uma nova ordem de significados. Nesse sentido um discurso fundador instala uma nova filiação, desautoriza sentidos anteriores e pelo seu próprio surgir produz uma nova memória. Todavia, um discurso fundador não surge do nada, ou seja ele tem uma genealogia, uma filiação.
Na ciência os traços são: A) deve funcionar como referência básica para elaboração teórica e para a compreensão de um dado domínio da realidade fundando assim, discursos ou uma discursividade (instala condições para a formação de outros discursos)
B) estabelecer uma identidade teórica para um dado grupo de pesquisadores, dando a eles o sentimento de pertença a um projeto de construção do conhecimento, o que significa que outros discursos vão apontá-lo como fundador. C) Deve necessariamente desautorizar uma tradição anterior de sentidos, o que quer dizer que se constitui em oposição a uma dada tradição anteriormente aceita, logo se constrói numa relação de conflito com o processo dominante de sentido; produzindo ai uma ruptura, um deslocamento.  D) Deve estabelecer uma relação particular com o que veio antes, com uma dada filiação, re-significando o que foi dito antes, e dessa forma instalando uma nova filiação. Assim, segundo Greimas, a resistência dos lingüistas em relação às pesquisas sobre significação são:
1) retardamento  histórico dos estudos semânticos 2) as dificuldades próprias à definição do seu objeto de estudo e 3)  a onda de formalismo (formalismo behaviorista) que distinguia forma de conteúdo. Desta forma Greimas funda uma nova ordem, através de seu discurso fundador e define qual o projeto semântico que será construído e qual o novo sítio de significância que está a erigir. Para isso,:
1) Radica-se na verdadeira tradição saussuriana
2) Fundamenta-se no principio da imanência
3) Nega o formalismo que preconizava que a lingüística nada podia dizer sobre o conteúdo
4) Estabelece uma semântica científica concebida como a união pela relação de pressuposição recíproca, de duas metalinguagens: uma linguagem descritiva ou translativa e uma linguagem metodológica.
Desta forma, diz ele que uma semântica geral deve se capaz de descrever qualquer conjunto de significantes não importando a forma pela qual se apresente e independente da língua natural que possa servir. Para concluir pode de ver aqui que Greimas esta elaborando na verdade, não um projeto semântico, mas um projeto semiótico.
 

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