quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O QUE É ARTE DO PONTO DE VISTA DE JOSEPH BEUYS VISTA A PARTIR DE UMA DE SUAS OBRAS

O que é a arte do ponto de vista de Joseph Beuys 
como vista em uma de suas obras.

Joseph Beuys, 1972. Vassoura de prata e vassoura sem pelos
 
Joseph Beuys é um artista alemão nascido no inicio do sec. XX. Em suas conceituações importam também as significações dos materiais nas representações de suas obras, utilizando materiais naturais como cobre, feltro, mel, madeira, gordura, entre outros, procurando unidade entre cultura, civilização e vida natural. Na figura (acima) “Vassoura de prata e vassoura sem pelos, 1972”  (com as especificações – vassoura ( madeira, crina de cavalo) com 1 mm de prata, 139x51cm – vassoura (cobre maciço) com feltro, 130x51cm); podemos notar que ele usou também do significado da prata, da madeira, do cobre e da crina do cavalo. Os elementos prata e cobre são metais bons condutores de energia, enquanto o feltro é um isolante.
Para exemplificar a questão da idéia da arte em Beuys escolhi a obra "Vassoura de prata e vassoura sem pelos" em que a partir de objetos cotidianos e materiais nobres (prata e cobre) Beuys ativa uma gama de conceitos ao conceber e apresentar essa obra.
Uma vassoura de prata e uma vassoura de madeira tem a mesma forma; no entanto, tem a mesma função social, ie., limpar o chão; sua simples justaposição lado a lado já demonstra o caráter questionador da arte, onde poderiamos nos questionar sobre o porquê do uso de uma vassoura de prata e outra de cobre e sem pelos?
Um possível caminho essa questão seria voltar o nosso olhar para o mundo através de parâmetros sociais, politicamente engajados, como o conceito de trabalho humano, esforço, limpeza, gasto de energia vital humana; o que conduziria-nos aos conceitos de valores das hoas trabalhadas, leis trabalhistas etc; outra alternativa seria olharmos para o material usado na confecção destes objetos, a saber: a  prata, o cobre eo feltro. A prata e o cobre conduzem muito bem a energia, enquanto o feltro é um pobre condutor. A prata é um metal nobre usado frequentemente para a confecção de jóias e talheres, e quase nunca para fazer vassouras, um objeto tido como marginal de uso cotidiano para tarefas não nobres.  Já o cobre além de ser usado para dar liga a prata (em jóias) é o elemento principal para a confecção de fios de alta voltagem, implicando-o na transmissão de energia em todo mundo. Onde existe uma fonte produtora de energia elétrica, ali existirá uma grande demanda para o uso do cobre. E seu uso primário é na transmissão de energia de um local para outro. O conceito aqui é o da transmissão, condução da energia. Posso ver ai que para Beuys o trabalho humano também é plástico, e esta imbuido de uma aura artística de apresentação, de condução de energia de ativação de um espaço seja este espaço abstrato (espaço do pensamento com as questões da justiça social) seja do espaço físico mais trivial (uma sala onde nos encontramos, vivenciamos, compartilhamos o tempo).
Observando esta e outras obras de Joseph Beuys, pode-se notar que suas influências vão desde Nietzsche (no que concerne ao humano e ao super-humano), à antroposofia (no sentido dado por Steiner que a apresenta como: “um caminho para se trilhar em busca da verdade que preenche o abismo historicamente criado desde a escolástica entre fé e ciência”), da botânica (proteção a natureza) à revolução francesa (igualdade entre todos os seres humanos), o que culmina em sua visão de mundo engajada politicamente no qual ele afirma sempre através de suas obras que “a revolução somos nós”, ou “todos ser humano é um artistas”, assim, enfatizando que a transformação social seria a maior obra de arte humana necessariamente coletiva e essencialmente plástica.
Nossa energia como seres humanos é transmitida a tudo que tocamos e fazemos e desse modo impregnamos o espaço com essa aura plástica do nosso trabalho, e com nossa presença.
A arte vista através dessa obra, me remete ao que ele pensava como essência para os metais (prata e o cobre): elementos de condução. Desta forma, os metais estão a meio caminho da plasticidade que apresenta a gordura ou cera que elevando-se mesmo que pouco a temperatura se fundem e voltam a solidificar-se se a temperatura diminui, e o trabalho humano que transforma o mundo. Nossa vida, como a arte deve ser plástica e gerar plasticidade, assim como a arte mostrada na concepção de Beuys.


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