segunda-feira, 21 de maio de 2012

POLÍTICA, SINDICATO E SONHOS

POLÍTICA, SINDICATO E SONHOS


Meus companheiros de luta no dia-a-dia na sala de aula. 
Hoje eu gostaria de contribuir com uma definição que embora talvez todos saibam, sempre é bom relembrar. 
Somos todos seres políticos. Ser político não significa só fazer campanha para um partido ou defender uma ideologia, pode ser isso também, mas já desde Aristóteles no século IV a.C se sabe que o homem é um ser político por natureza; e político é quem vive na  πολις, polis, i.e., na cidade. 
Por viver na cidade , mantém relações entre cidadãos que são iguais perante a lei; e  relações com os gestores da coisa pública. 
Portanto não há como negar a nossa essência que é o "ser político". 
Todavia, para interagirmos com os gestores do Estado necessitamos estar sindicalizados, unidos por um mesmo ideal, buscando um mesmo fim.  Esse fim se anastomosa, se liga indissoluvelmente com o bem comum da sociedade, a saber o esclarecimento, as melhores condições de vida, que passa por uma melhor educação.
E pasmem a palavra sindicato vem do latim:Συνδικός,  syndikós, que significa aquele que é escolhido para defender os direitos de um grupo ou corporação, syndikós: um procurador, um advogado, que assiste na organização dos trabalhadores na luta por seus direitos.
E essa palavra é mais antiga ainda, vem do grego: syn + dike (Συν + Δίκη) junto com a justiça. (Συν: junto com a Δίκη: justiça)
Dike (Δίκη) era filha de Têmis Θέμις com Zeus e representava a lei ou justiça divina, o bom conselho; era a deusa grega guardiã dos juramentos dos homens e da lei, e era costumeiro invocá-la nos julgamentos perante os magistrados. 
Sua filha Δίκη, é a deusa grega que preside os julgamentos, é a deusa da justiça.
Tem na mão direita uma espada que simboliza a força, elemento inseparável do direito, e na mão esquerda sustenta uma balança de pratos que representa a igualdade buscada pelo direito, pela aplicação da justiça. Nessa balança o fiel está desequilibrado, deslocado do meio. O fiel só irá para o meio (alcançando o equilíbrio) quando da realização da justiça, do ato justo, pronunciando o direito no momento de: ίσον, ison (o equilíbrio da balança, a igualdade). 
Para os antigos gregos o justo, o direito é identificado com o igual, com a igualdade entre os cidadãos. Ela tem os olhos bem abertos representando a busca incessante pela verdade.
Assim, a palavra sindicato tem uma longa e bonita história, em nossa cultura. É o que é associação de homens iguais entre si e perante a lei, que se organizam com justiça, para o bem comum, não somente do grupo em si mas do bem de toda uma sociedade. O sindicalizado então é aquele que defende a justiça, o modo justo de proceder. Ora para isso basta o principio magistral postulado por Ulpiano (c. 150 - 224 d.C.) que diz:  "Iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere", "os preceitos do direito são estes: viver honestamente, não lesar a outrem , dar a cada um o que é seu". O sindicato sempre deve seguir  essa máxima magistral e assim a sociedade chegará a uma vida cheia de bem-aventurança aqui em nosso tempo, através da luta e da informação; que em si é a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. 

(21/V/2012)




2 comentários:

liccofernandes disse...

Concordo!
Tentei te add no Facebook e não consegui, vou te add no msn q me passou, abço!

Luck® disse...

Pois, caro!

Pólis, se não for traduzida por "cidade", ajuda até mais, pois nos faz entender essa dimensão polí-tica e também a ideia de metro-poli-tana.

Mesmo antes de Aristóteles, quando se vê (na República de Platão) as relações do espaço comum que, bem norteados, trariam os benefícios idealizados pelos gregos antigos.

A política atual, entendida como essa "prática" que você referiu aos partidos políticos, aos cargos, a representação, etc, são um desdobramento daquela outra. Não são contrárias, não são complementares, mas diferentes ainda que uma derivou a outra.

Com Vernant (Origens do Pensamento Grego) são ressaltados exatamente esses aspectos (que no primeiro momento é da autoridade, isto é, da verdade revelada por algum "dom especial", por alguma autorização divina = adivinhos, oráculos, pitonisas, etc, e depois passa para o espaço do comum - onde até mesmo as cerimônias sagradas particulares vão perdendo espaço para o culto em espaço público). Tudo isso propiciará, ainda que eu o esteja colocando de forma superficial, a formação de um pensar o Mundo que, pra resumir, nos influencia até hoje em muitos, muitos aspectos.