sábado, 9 de abril de 2011

ESTÉTICA: ARTE - OBJETO DE DIFERENTES DISCURSOS

A obra de arte aparece em nosso meio cercada, envolta em discursos. Cercada de falas, de manifestações e manifestos. A obra não fala por si mesma. Falam por ela por meio de reportagens, panfletos, dissertações, depoimentos, catálogos. Tanto a obra como a arte em si não existem isoladas da sociedade, ela não esta sozinha, ela aparece no meio de vários movimentos. A arte se dá no mundo histórico do qual fazemos parte (fig. 1).

 
Fig. 1:A arte é objeto de discurso. Discurso opiniático, filosófico e científico.

 
O artista não se afasta do mundo quando executa uma obra, muito pelo contrário ele mergulha profundamente no mundo, pois ele pertence a este mundo, ele esta no mundo que vivemos, portanto histórico.
Assim, podemos dividir as falas sobre a arte ou sobre os objetos que se pretendem serem objetos de arte (esculturas, cinema, pintura, literatura, performances, instalações, músicas...), em três grupos:

1) o discurso ou fala baseada na opinião (discurso opiniático),
2) o discurso filosófico e
3) discurso científico.

Vamos analisar cada um deles sucintamente, visando elaborar um conhecimento sobre esse assunto lançando alguma luz sobre esses tipos de falas ou juízos proferidos frente ao objeto artístico.

1) discurso opiniático.
Em uma sociedade livre e democrática todos podem ter uma opinião, se eu vou ao cinema com amigos eu sempre manifesto minha opinião sobre o que acabamos de ver: gostei muito do filme; não gostei nada do que eu vi; que coisa horrorosa esse filme. Nossa opinião pode ir mais longe tentando influenciar a opinião do outro. E é assim frente a todos momentos ou frente a tudo que encontramos ao longo de nossa vida (sejam objetos banais ou artísticos).
Temos o direito de dizer que não gostamos, embora, na maioria das vezes, nem saibamos por que não gostamos disso ou daquilo.
Esse juízo emitido na forma de opinião é um juízo razo, superficial (gosto, não gosto, sou contra, sou a favor...) é razo devido ao fato de não estar embasado em nenhuma reflexão sistemática, ou porque não temos formação adequada para analisar a questão com a profundidade que cada realidade merece (não somos cineastas nem críticos de cinema ou de arte). Todos nós nos deparamos ou exercemos nossa opinião nesse nível, em algum momento, e não há nenhum mal em proferir uma fala assim. 

2) Já o discurso filosófico não é opiniático porque pretende ser fundamentado; embasado em princípios lógico-filosóficos que norteiam o pensamento ao emitir um juízo sobre determinado assunto. Nosso juízo então se apresenta mais forte, pois pretende estar em continuidade reflexiva com a filosofia. A filosofia mesmo tendo 2500 anos de história, apresenta questões que ainda são fundamentais, e devido ao seu grande tempo de existência se apresenta muito mais forte que a ciência. Assim, uma fala que se pretende filosófica deve levar em conta a história do pensamento humano, e também as normas que conduzem o pensamento no caminho do juízo verdadeiro. 

3) Ora, o discurso científico esta caracterizado pela experimentação e pela pesquisa empírica sistemática. Já Descarte preconizava um meio de fazer ciência tratando cada problema em partes menores que pudessem ser postas a prova e sobre as quais não pairasse mais duvidas. Assim, o método usado pela ciência é a dúvida sistemática. Chega-se assim a um vocabulário unívoco que não deixe duvida sobre o que estamos falando, referencia estrita ao objeto de pesquisa, clareza e objetividade e eliminação de qualquer subjetividade no juízo das sentenças.
Todavia existe uma relação de tensão e complementariedade entre o discurso científico e o discurso filosófico.
Mas historicamente vemos um distanciamento do discurso filosófico do discurso científico. Esse distanciamento iniciou com Galileu, Newton e Bacon (fundador da ciência moderna como a conhecemos hoje). Esse pensamento chega ao seu extremo com o positivismo, pensamento filosófico que condena a atividade filosófica. Segundo essa doutrina é necessário retirar do mundo todo o discurso filosófico e todos devem ter formação cientifica.
Assim, definidos os três tipos de discurso podemos ver que é necessário sairmos do âmbito do discurso opiniático e nos encaminharmos em direção ao discurso filosófico, pois ele nos fornece meios de aprofundar nosso pensamento, e assim, chegar a juízos mais robustos, pois para elaborar uma opinião é necessário ter alguma formação.  

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