segunda-feira, 13 de setembro de 2010

WESLEY DUKE LEE

Artista plástico Wesley Duke Lee morre aos 78 anos em São Paulo.

(1931 - 2010)

O artista plástico Wesley Duke Lee faleceu às 23h do último domingo (12/set/2010), aos 78 anos, vítima de broncoaspiração e parada cardíaca, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Ele sofria há três anos do Mal de Alzheimer, e deu entrada no hospital depois de passar mal durante a noite.
Segundo a sobrinha Patrícia Lee, uma cerimônia aberta de despedida será realizada no Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, às 16h da terça-feira (14). No local, serão expostas como homenagem uma foto e a frase de autoria de Wesley:
'A verdade não pode ser dita, só revelada'.
Pintor e desenhista, Wesley iniciou sua formação no curso de desenho livre do MASP, em 1951. Estudou nos Estados Unidos, viveu em Paris e voltou à São Paulo em 1963 para organizar grandes "happenings" junto de Bernardo Cid, Otto Stupakoff e Pedro Manuel Gismondi, entre outros nomes. Em 1966, participou da fundação do Grupo Rex.
O artista nascido na capital paulista foi um dos fundadores do Grupo Rex nos anos 1960. Também formado pelos artistas plásticos Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Frederico Nasser, Carlos Fajardo e José Resende, o grupo foi responsável pelos primeiros "happenings" em São Paulo e atuou no fim da década de 1960 (de 1966 a 1967).
O Grupo Rex atuou de forma breve porém intensa no cenário cultural artístico paulistano. Desde o início configurou-se como uma forma sistemática de desafio aos valores instituiídos relativos a arte e ao seu sistema de produção/exposição, à crítica e ao público. Apesar de possuir pontos de contato com a irreverência e a negação do dadá, sua ação estava mais próxima de uma orientação futurista como proposta de ação sociocultural. Ainda pode ter pontos de contato com o Fluxus, segundo Walter Zanini (arte de ação e uma prática artística com sentido lúdico, agindo diretamente na vida através de uma ação ou da vivência de um acontecimento).
O Grupo Rex conseguiu um espaço para expor seus trabalhos na loja Hobjeto de Geraldo de Barros na rua Iguatemi, 960 em São Paulo. Assim, surgiu a Rex Gallery and sons, e também publicou um jornal chamado Rex Time, cujo primeiro número mostrava um título sugestivo: "AVISO: É A GERRA", e investia contra o cirtuíto das artes e seus componentes (artistas, mercado, galerias crítica), com a missão de instruir e divertir o público leitor e porque não consumidor de arte.
Ousado, ele se ofereceu como voluntário para testar os efeitos do LSD numa clínica, em 1964. Das experiências lisérgicas saíram duas de suas séries mais carregadas de reflexões políticas.
Apesar de produzir até ser acometido pelo Mal de Alzheimer, sua última grande série, "Era do Filho", data do fim dos anos 90.

Fontes:


Peccinini, Daisy (1999) FIGURAÇÕES BRASIL 1960. Edusp e Itaú Cultural.