quarta-feira, 24 de novembro de 2010

REGINA SILVEIRA

TRAMAZUL
Obra de Regina Silveira na fachada do MASP


Regina Silveira revestiu as 202 janelas do edifício desenhado pela arquiteta Lina Bo Bardi com imagens de um céu fixo, nuvens construídas em ponto cruz gigantesco. Certamente a obra diz muito para os observadores. Nada tão comum e vulgar do que o céu e, no entanto, algo realmente misterioso. Todo mundo fala do céu, todos olhamos para o céu, e o céu significa tantas coisas. Uma palavra polissêmica, polivalente, uma palavra-chave. Ela costura um céu em ponto cruz. Terá ela falando algo do universo feminino e por isso mesmo transcendente ao gênero em si? Estará falando da questão lúdica de ver imagens no céu tão monótono da megalópole onde se encontra o MASP? Estará refletindo ela sobre os céus azuis de todo mundo que recolhem nosso olhar em todos as partes do planeta? Estará falando do azul, a cor que evoca distâncias e para onde convergem todos os olhares que encontram abrigo refugiando-se na imensidão?
De qualquer modo ela estava pensando em três realidades distintas e complementares: o gênero (trama do tecido, o ponto cruz), a cor como signo, e as nuvens que passam (a fluidez do todo que nos rodeia). Pelo menos algo em mim foi tocado pela obra monumental da  nova pele colada no MASP. Me  fez  refletir sobre o que é efêmero e passageiro e o que é perene e duradouro no mundo do agora.
Regina Silveira prepara outras obras, por exemplo répteis rodeando um ovo gigante que vão para a Bienal de Nova Orleans, e uma frase em letras espelhadas deverá ser fixada na fachada da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, onde ela abre mais uma retrospectiva em março do ano que vem.


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