segunda-feira, 11 de outubro de 2010

RELEVO ESPACIAL


Palavra Arte

Eu estou aqui agora e vejo a cor, a forma! Vou guardar todas essas imagens em minha retina para que fiquem sempre frescas como a relva nas manhãs de primavera e sempre vivas como as ondas que nunca se cansam!
Formas de leveza indescritível em uma linguagem sutil que chega a acariciar minha lembrança-alma. Linguagem evocativa e perene, a cor discursa suspensa no espaço, tonalidades, imagens estereocrômicas, ostensiva forma, retilínea...
La estava, brilhando em minha frente aquela forma e quanto mais eu me aproximava mais ela se mostrava avassaladora como uma onda de Hokusai, um “tsunami” de revelações e, no entanto silenciosa e contida.
Era uma superfície lisa, de madeira polida, pintada de amarelo e laranja. Um retângulo inclinado em um plano e dois quadrados concrescidos em outro plano. Tudo isso gerava planos como pétalas de uma flor misteriosa gamopétala! Pronta para ser usada como quem usa uma camiseta.
Uma quimera-flor, amarela, que tirara seu sustento dos olhares que a interrogavam, em vão. Ela me interrogava desde o primeiro segundo do primeiro minuto que meus olhos a viram, esfinge! Muitos antes de eu formular qualquer dúvida, aquela forma se instalou como um paradoxo em minha mente.
Um mundo estranho, labiríntico e distante que a uma simples olhada me transformava pelo exercício imaginativo... Ela me impele a criação... Não sei do que e nem onde... Mas algo nela clama... 
Ali estava a ideia sepultada na forma suspensa, flutuando na imensidão da nave, um monólito rutilante de pensamentos sulfúreos quase ácidos, quase doces.
Assim eu vi aquele relevo espacial, baricentro onde orbitavam ideias e pensamsamentos, os meus, desde sempre e para sempre até agora! Ela permanece lá é a obra por excelência, O relevo espacial de Hélio Oiticica...


Glossário
Baricentro: centro de gravidade
Concrescência: aderência intima e congênita de partes.
Estereocromia: método de fixar cor em corpos sólidos. Estéreo: sólido, firme, medida de volume para lenha; do grego: στερεός (stereós) stere, stereós, stereón: sólido, duro, firme, cúbico, que ocupa as três dimensões do espaço.
Estereocentro: centro sólido de uma molécula, ou de um objeto.
Gamopétala: flor cujas pétalas são unidas entre si.
Ostensivo: que se pode mostrar, que é aparente.

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