segunda-feira, 17 de maio de 2010

PAPEL ALBUMINADO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO DE ARTES VISUAIS

PROCESSOS ALTERNATIVOS DE FOTOGRAIA
Prof. Dr. Luiz Eduardo Robinson Achutti

A.C. Paim

Papel albuminado

Resumo: O papel albuminado foi inventado pelo francês Louis-Désiré Blanquart-Evrard (1802-1872) em 1849-50, sendo assim denominado porque empregava o albúmen extraído da clara dos ovos de galinha, como camada adesiva transparente destinada a fazer aderir os sais de prata fotossensíveis à base (papel). Foi o papel mais popular para a execução de cópias fotográficas até meados da década de 1890, quando foi definitivamente desbancado pelos papéis de prata gelatina. Todavia mesmo tendo experimentado um declínio a partir de 1895 ele continuou sendo produzido até meados de 1930.
Introdução

Louis Désiré Blanquart-Evrard nasceu em Lille a 2 de agosto de 1802 e morreu em Lilly em 28 de abril de 1872.
Originariamente Blanquart-Elvrard era comerciante de roupas que na década de 1840 passou a interessar-se pela fotografia. Estudou o calótipo e em 1847 foi o primeiro em utilizar este processo na França. Em 1849-50 desenvolveu e publicou uma técnica para impressão à albumina, que logo experimentou um grande sucesso, sendo o principal processo usado por trinta anos.
O novo processo foi chamado de papel albuminado (Papier albuniné). Blanquart-Evrard apresentou seu invento na academia de artes de Paris a 27 de maio de 1849. O método consistia em cobrir (o suporte) a folha de papel com clara de ovo salgada, o que a tornou brilhante como se tivesse sido coberta por verniz, depois disso o papel era sensibilizado com uma solução de nitrato de prata.
As chamadas “provas de albumina”, reproduziam com grande fidedignidade os pormenores e os tons nas sombras e nas altas luzes, o que a tornou rapidamente aceita no mercado e a partir de 1855, passou a ser o suporte mais usado para a impressão de negativos de colódio úmido.
Em 1851 Blanquart-Evrard fundou em Lilly a Imprimière Photograpique, a primeira loja francesa a produzir papel albuminado em grande escala.
O papel albuminado consistia em separar a clara do ovo da gema e usar somente a clara (albumina) que era mistura com sal de cozinha (NaCl), para emulsionar o papel. Depois de emulsionado com albumina e seco, o “papel albuminado” era então sensibilizado com nitrato de prata. Este processo produz uma superfície brilhante no papel e resulta em imagens contrastadas com luzes baixas (nos pretos) e uma grande nitidez, pois a imagem se forma dentro da camada de albumina espalhada sobre o papel sem migrar para as fibras do mesmo. Uma grande vantagem é que esse método permite emulsionar outros materiais que não o papel, como por ex: madeira, pedras, cerâmica etc.
Todavia esse método apresenta inconvenientes, tais como: amarelecimento da imagem nas altas luzes (brancos); a albumina reage quimicamente com o metal de prata, reação para a qual não foi encontrada uma solução. Reação esta que produz um craquelamento da foto. E por fim a clara do ovo se decompõe rapidamente (liberando um odor nauseabundo), não podendo ser estocada por muito tempo, e por isso deve ser mantida na geladeira (refrigerada) , mesmo assim não por muito tempo.

Base química

A albúmina é uma proteína que se encontra em grande proporção no plasma sanguíneo e na clara do ovo, sendo a principal proteína do sangue e assim umas das mais abundante no ser humano. A concentração normal de albumina no sangue humano esta entre 3,5 e 5,0 gramas por decilitro, perfazendo em torno de 53% das proteinas sanguineas. A albúmina é fundamental para a manutenção da pressão osmótica, necessária para a distribuição correcta dos líquidos corporáis. A albúmina como toda proteina tem carga eléctrica negativa. Na eletroforese em gel das proteínas presentes no soro a um pH fisiológico, a albúmina é a que mais avança devido a sua elevada concentração de cargas negativa na molécula.
O albúmen é formado por um material semi-sólido ou gelatinoso, com grande conteúdo hídrico e protéico (albumina). Esta camada de proteína do ovo protege o embrião dos choques mecânicos e fornece toda água de que o embrião necessita para o seu desenvolvimento além de aminoácidos. Nessa zona (clara) diferenciam-se dois cordões protéicos chamados de chalazas, que tem por função manter a gema no meio da clara. O albúmen tem em torno de trinta proteínas diferentes, entre elas a ovalbumina (54%), ovotransferrina (13%), ovomucóide (11%), lisozima (4%) além de globulina entre outras. A ovalbumina contém todos os aminoácidos essenciais, a ovotransferrina une-se a metais polivalentes. Ao perder a água adsorvida entre as moléculas de proteínas forma-se uma camada brilhante sobre o substrato, pelo encurtamento das distâncias entre as cadeias polipeptídicas. O que no caso do uso como emulsão em fotografia concentraria os sais de prata tornando a foto mais nítida e contrastada.
Papel albuminado

Quebre os ovos e separe as claras das gemas
(você pode usar as gemas para preparar algum doce ou mesmo colocar na sopa).
Coloque 80ml de clara em um becker
Bata as claras até obter uma emulsão homogênea
(em ponto de neve)
Dissolva 2 g de sal de cozinha (NaCl) em
20 ml de água destilada
Misturar com a clara e bater bem
Deixar descansar ou até que as bolhas desapareçam
Aplique sobre um dos lados do papel
Deixe o papel secar pendurado
Depois de seco acrescente outra camada de clara sobre o papel
Deixe secar novamente.

Referências

Revista Digital Universitaria, 10 de octubre de 2004, Volumen 5, Número 9. ISSN: 1067 - 6079

Louis-Désiré Blanquart-Evrard (1802 - 1872) — Artwork images, Exhibitions, Reviews

Webb, Randall & Reed, Martin (2007) Alternative photographic process. A working guide for image makers.

·http://www.ronaldo-simao.adv.br/historia01.asp

Nenhum comentário: