segunda-feira, 17 de maio de 2010

TALBÓTIPO (TALBOTYPE)


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO DE ARTES VISUAIS

PROCESSOS ALTERNATIVOS DE FOTOGRAIA
Prof. Dr. Luiz Eduardo Robinson Achutti
A. C. Paim

TALBÓTIPO
(TALBOTYPE)
WILLIAM HENRY FOX TALBOT, nasceu em 11 de fevereiro de 1800 em Melbury Abbas (Dorset, Inglaterra) e morreu em 17 de setembro de 1877 em Lacock Abbey, próximo a Chipenham, Wiltshire, UK). Ele era um proprietário de terras, erudito e cientista, além de químico e pioneiro da fotografia. A talbotipia ou talbótipo é um processo fotográfico inicial (early photographic technique) inventado por William Henry Fox Talbot em 1830. Nesta técnica, uma folha de papel coberta com cloreto de prata (AgCl, composto químico sólido, cristalino cúbico, branco, pouco solúvel em água (nearly insoluble in water) mas solúvel em uma solução de água e amônia, ou tiosulfato de sódio (hipo)), é exposta a luz em uma câmara escura. Aquelas áreas tocadas pela luz tornam-se negras, produzindo uma imagem negativa. O aspecto revolucionário desse processo esta baseado na descoberta de Talbot de um composto químico (Ácido gálico = substância que ocorre em muitas plantas em ambos estados: livre ou combinado com ácido galotânico, em plantas do gênero Caesalpina sp) que pode ser usado para “desenvolver” a imagem no papel, i.e., acelerar a reação química do cloreto de prata que foi exposto a luz. O processo desenvolvido permitiu um tempo de exposição muito mais curto, caindo de uma hora (Daquerreótipo) para um minuto (talbótipo = talbotype).
Em 1839, o mesmo ano que Daguerre anunciou seu método de fixação de imagens em uma placa de cobre tratada com prata, (silvered copper plate) William Henry Fox Talbot, publicou “The Art of Photogenic Drawing” (A arte do desenho fotogênico), uma descrição de como ele procedeu para capturar imagens permanentemente em papel. Quatro anos antes, Talbot produziu minúsculas vistas fotográficas de Lacock abbey (Abadia de Lacock) sua casa em Wiltshire. Pelo tratamento dessas pequenas imagens (pictures) com cera (de abelha), Talbot foi capaz de usá-las como negativos e posteriormente imprimir cópias. Embora ele tivesse inventado o processo fotográfico negativo/positivo, as primeiras imagens de Talbot eram pequenas, requeriam um tempo de exposição muito longo e eram desprovidas de detalhamento e brilho do daguerreótipo (lacked the sharpness of detail and brilliance of the daguerreotype). Talbot continuou seus experimentos e melhorou a qualidade de sua fotografias
Cobrindo o papel com iodeto de prata (AgI = silver iodide) e desenvolvendo as imagens com uma solução de galo-nitrato de prata (ácido gálico + prata). Talbot patenteou seu novo processo em fevereiro de 1841 descrevendo suas imagens como “Calotypes”.
Em 1835 ele publicou seu primeiro artigo documentando suas descoberta fotográfica, do papel nagativo. Sua obra: The Pencil of Nature (1844-46) foi o primeiro livro com ilustrações fotográficas. Talbot também publicou muitos artigos sobre matemática, astronomia e física. Sob pressão da Royal Academy e da Royal Society, Talbot teve que relaxar seu controle sobre a produção das calotipias (calotypes) em agosto de 1852, permitindo que amadores e artistas usassem o processo, mas ele insistiu que todo o fotógrafo profissional que queria usar seu processo de calotipia para tirar retratos (for taking portraits) tinha que comprar uma licença que geralmente envolvia uma quantidade anual de 100 a 150 libras.
Há polêmica em torno da paternidade da fotografia principalmente em torno da paternidade da idéia. Os ingleses, que reivindicam como sua a invenção da máquina fotográfica, argumentam que o processo "negativo-positivo" criado por Talbot foi o único tornou-se a base da fotografia como a conhecemos. Foi de Talbot a primeira foto reproduzida em papel (talbótipo), e o primeiro livro com fotos.
MATERIAL NECESSÁRIO

Sal de cozinha (NaCl)
Nitrato de prata (AgNO3)
Papel de desenho de boa qualidade (para uso nas provas e trabalhos)
Fixador (tiosulfito de sódio)
Luz ultra-violeta ou luz do sol
Chassis com vidro para colocar o negativo
Negativo bem contrastado
No mínimo três bacias: duas para lavagem, outra para o fixador

Salga do papel

1 litro de água
20 g de sal de cozinha ou 20 g de cloreto de amônio (NH4)Cl
Dissolver bem o sal na água deixar um tempo (5 min) descansando
Colocar a solução numa bacia e mergulhar a folha de papel por 5 minutos
Resultados melhores se obtém preparando os papéis anteriormente com alguns dias de antecedência.
Soluções

Solução A
50 ml de água destilada
12 g de Nitrato de prata

Solução B
50 ml de água destilada
6 g de ácido cítrico

Misturar a solução A e B (depois de dissolvidos)
Guarde a solução num vidro fosco com tampa de rosca (ao abrigo da luz)
Fazer as solução A em um ambiente com luz atenuada (luz vermelha).
Aplicar no papel com pincel
Secar o papel (pendurando-o em um varal, no escuro)
Fazer uma marca no lado em que a solução não foi aplicada
Impressão (cópia)
Tendo feito um negativo bem contrastado,
Coloque o lado da emulsão do negativo em contato com a emulsão do papel
Colocar no chassi (prensar com o vidro)
Levar ao sol ou na mesa de luz (que pode ser ultra-violeta UV)
Sol: 2 a 3 minutos
Luz UV: 5 a 7 minutos

Tratamento
lavar bem em água corrente (da torneira) por pelo menos 20 minutos para tirar o excesso de nitrato de prata, isto evita que os sais continuem se alterando mudando de cor a imagem.
Fixação
Solução do Fixador

500 ml de água
25 ml de hipossulfito de sódio anidro (Tiosulfito de sódio)
2 g de carbonato de sódio
Dissolver bem
Mergulhe o papel com a imagem (foto) deixando o fixador agir de 2 a 5 minutos

P.S. : se voce decidir usar o fixador comercial (fixador Kodak) use uma diluição de 10 vezes
(por ex.: 1ml de fixador para 9 ml de água)
Pendure a folha para secar
Lavagem final
Lavar novamente por no mínimo 30 minutos.
Encolagem a gelatina

Para tornar o papel menos poroso, pode-se usar uma solução de gelatina (o que faz com que as fibras do papel fiquem mais juntas) e evita que os sais de prata penetrem para o interior das fibras do papel tornando a imagem menos nítida.
Para isso voce vai precisar:
300 ml de água
2 g de gelatina comestível incolor e sem sabor
6 g de sal de cozinha

Pese 2 g de gelatina e mergulhe em 100 ml de água deixar por 15 minutos, quando a gelatina inchar complete com
200 ml de água quente (45°C) e misture até dissolver, por fim dissolva o sal.

Com a solução ainda líquida pincele ou mergulhe a folha de papel e deixe por 30 segundos, retire e deixe secar.

P.S.: tenha o cuidado de impregnar toda a superfície do papel.
Cuidando sempre para evitar as bolhas, que impedem a gelatina de percolar no papel.
Depois que as folhas secarem pincele o nitrato de prata (no escuro ou sob luz vermelha)
Siga normalmente os passos como do papel salgado
Atenção: segundo alguns autores o papel impregnado com gelatina dura em torno de 2 semanas, todavia eu ja usei o papel com mais de duas semanas).

Vantagens

Esta técnica produz cópias estáveis com as altas luzes delicadas e é considerada a técnica mais antiga de cópia fotográfica (talbótipo).

Inconvenientes:

Cloreto de prata é muito sensível a sujeira e poluição, por isso manter o atelier bem limpo, livre de contaminantes.
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Referências
Webb, Randall & Reed, Martin (2007) Alternative photographic process. A working guide for image makers.
Internet

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