quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

INNER LAYERS OF MEMORY

  Inner layers of memory
Digital landscap 2 

Em minha memória há muitas camadas... uma memória antiga e arraigada na minha infância onde o cheiro do campo, das olhas dos plátanos-de-londres perpassa tudo... o curral, o campo e os cavalos... o lago e o riacho que lentamente corria atrás da minha casa. Circundando esse núcleo de memória esta uma outra camada de folhas de papel, lápis, giz-de-cera e quadro-negro... de coleções de rochas e plantas... de noites estreladas de inverno...  e por cima dessas memórias estão as músicas, as meninas, o afeto, o amor e os desejos... os desconhecimentos e os medos... as dores de crescer e perder toda a memória boa e alegre, límpida e inocente de uma criança que um dia eu fui... E em volta dessa camada jaz uma outra camada de novidades e cheia de insegurança e tristeza, de solidão e dor... de um caminho solitário e deserto... nesse ponto eu voltei para a natureza... ela não exige nada ela apenas esta ali... para ser olhada acariciada e pensada... Todos os amores foram em vão e todas as aproximações foram retribuídas com desconfiança, risos e menosprezo... mas como tudo passa a próxima camada era de discreta luz e solidão crepuscular... vesti o hábito dos monges para não ser visto... vesti então o chapéu da invisibilidade feito pelos ciclopes... nessa camada de memória eu aprendi tudo sobre a origem do mundo e todos os mitos das origens e seus significados... escrevi-os sempre para deles não me esquecer... me refugiei nessa camada e vez por outra volto a ela para la me esconder novamente...muitas outras camadas de memória eu construí com o passar do tempo... lá elas estão fixadas em suas existências solitárias altaneiras... elas se enrolam e fazem tudo que eu sou.

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